domingo, 8 de março de 2009

das águas de março*

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há mulheres feitas de vento e trapos que inventam as
funções obliquas da luz sobre o ventre primário das palavras.
morrem do avesso com a ternura a aflorar à boca em cada sílaba invisível,
sempre que a imaginação caduca e não há previsão para o acaso ou o amor.
deve ser assim que principia a palavra medo:
quando
os dias desaguam no choro, exaustas de correr
com o coração
à frente dos próprios passos.
as mulheres esquecidas à margem do poema,
carregam por dentro dos olhos o céu inteiro
e é sempre rente
à promessa da palavra mar que encontram todos os consolos,
mas dessas coisas apenas os olhos falam.

*tom jobim

3 comentários:

xary disse...

quero fazer destas palavras a minha canção. posso?

demasiado lindo. :)*

acoldzero disse...

gostei muito deste bocadinho. assim como dos outros bocadinhos que vou encontrando por aqui, mas este teve um sabor especial, e não sei explicar porquê. só para dizer que foi bom. *

marta disse...

há coisas tão verdade ... e só alguns as conseguem "fazer" em palavras ...