sexta-feira, 29 de setembro de 2006

come on cat

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Come on Alex, you can do it.
Come on Alex, there's nothin' to it.
If you want somethin' don't ask for nothin,
if you want nothin' don't ask for somethin'!

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The Arcade Fire - Neighborhood #2 (LAIKA)

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quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Há sempre uma noite terrível para quem se despede
do esquecimento. Para quem sai,
ainda louco de sono, do meio
de silêncio. Uma noite
ingénua para quem canta.
Deslocada e abandonada noite onde o fogo se instalou
que varre as pedras da cabeça.
Que mexe na língua a cinza desprendida.
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E alguém me pede: canta.
Alguém diz, tocando-me com o seu livre delírio:
canta até mudares em azul,
ou estrela electrocutada, ou em homem
nocturno. Eu penso
também cantaria para além das portas até
raízes de chuva onde peixes
cor de vinho se alimentam
de raios, raios límpidos.
Até à manhã orçando
pedúnculos e gotas ou teias que balançam
contra o hálito.
Até à noite que retumba sobre as pedreiras.
Canta - dizem em mim - até ficares
como um dia orfão contornado
por todos os estremecimentos.
E eu cantarei transformando-me em campo
de cinza transtornada.
Em dedicatória sangrenta.

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Herberto Helder - Lugar II
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16.10

Esquecido a um canto tinha deixado, por 3 anos, o trio que faz maravilhas. Não reinventam fronteiras estilísticas, não inventam novas linguagens, são antes, especialistas a desconstruir pop, rock e por fim o próprio jazz. Até aqui nada de novo, já antes Herbie Hancock tinha um disco dedicado à renovação, The New Standard e Brad Meldhau tinha reencontrado Paranoid Android, Exit Music (For a Film) e Knives Out dos Radiohead e outros tantos. Apesar de não serem o expoente máximo da inovação, eles sabem o que querem e para o que aqui estão. Tocam, tocam muito e com alma, alma de roqueiros.

Ethan Iverson tem momentos de Dave Brubeck, Smells like teen spirit está contagiante e deixam a pairar no ar Silence is the question.


The Bad Plus - These are the vistas
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terça-feira, 26 de setembro de 2006

hummm...

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O que aconteceu ao
Festival para Gente Sentada?
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domingo, 24 de setembro de 2006

a maior vítima deste mundo cruel


Antony and the Johnsons - I am a bird now

Diz a Catarina que o Antony está de volta ao nosso jardim à beira mar plantado. Eis o homem alvo de grandes paixões ou grandes ódios. Chegou o momento de deixar aqui clara a minha incondicional admiração – caso houvessem dúvidas - pela diva cuja voz tem momentos de beleza inebriante certamente inigualáveis.

Se o disco I am a bird now apenas abarcasse o primeiro tema, Hope There's Someone, teríamos o suficiente para nos considerarmos abençoados pela graça de um dia termos ouvido Antony. Pouco consigo dizer das restantes dez faixas, onde passam Boy George, Rufus Wainwright, Devendra Banhart e Lou Reed e que são quase tão voluptuosas como a primeira. O clímax parece ser atingido em You are my sister, mas há dúvidas. Certezas, há apenas uma, o beijo está em Bird Guhl, aquela que após termos sido libertados em Free at last, nos diz: respira fundo e vai, agora, depois de tudo... Já podes voar.

Há todo um processo a ser seguido, é uma catarse! Este é um album anti-inflamatório, tem propriedades analgésicas e auxilia o processo de cura, mas tem também contra-indicações e quando ouvido excessivamente, efeitos secundários severos. É arrepiante, desesperante, assustador, depressivo, obsessivo, doce, delicado e por isso muito belo.

Mas porquê gostar de ouvir um ser andrógeno que clama aos quatro ventos o fado do desgraçadinho? Bem vistas as coisas, aqui estamos nós, sujeitos de carne e osso que um dia conquistamos o direito a um polegar oponível, para agora, ser subjugados para o resto da nossa existência, à necessidade de responder a um turbilhão de sentimentos e emoções, provocações e provações. Perante isto, como é que não podemos gostar de nos (re)conhecer e (en)cantar neste festim de drama queen?

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sábado, 23 de setembro de 2006

que o Senhor nos acompanhe...

Bob Dylan - When The Deal Goes Down

ouvimos Senhor...

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"A qualidade das drogas de hoje é péssima (...) Acredito que a qualidade caiu muito. Não gosto do modo como fazem efeito no cérebro. Por isso não consumo mais"
Keith Richards
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quarta-feira, 20 de setembro de 2006

já foi

Vetiver


e diz quem foi que foi assim:

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qué regalos!

I`m from Barcelona - We`re from Barcelona

terça-feira, 19 de setembro de 2006

mudar de pele

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Esta cidade vive, respira em plenos pulmões e pede companhia na sua solidão. Eis Setembro, o clamor de boas novas, diz que a vida é renovada. Chega carne fresca para canhão, noites destemperadas, folhas caídas, chuvas febris, dias curtos e lânguidos como o fluir do rio. Ficam impressos na pele agoiros de esperança!

O tempo de promessas, de formular desejos, de espanar a alma e aquecer o espírito é este. Tudo recomeça.
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