quinta-feira, 31 de agosto de 2006


Last night I dreamt
That somebody loved me
No hope, no harm
Just another false alarm
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The Smiths
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quarta-feira, 30 de agosto de 2006

tu estás aqui

Estás aqui comigo à sombra do sol
escrevo e oiço certos ruídos domésticos
e a luz chega-me humildemente pela janela
e dói-me um braço e sei que sou o pior aspecto do que sou
Estás aqui comigo e sou sumamente quotidiano
e tudo o que faço ou sinto como que me veste de um pijama
que uso para ser também isto este bicho
de hábitos manias segredos defeitos quase todos desfeitos
quando depois lá fora na vida profissional ou social só sou um nome e sabem o que sei o
que faço ou então sou eu que julgo que o sabem
e sou amável selecciono cuidadosamente os gestos e escolho as palavras
e sei que afinal posso ser isso talvez porque aqui sentado dentro de casa sou outra coisa
esta coisa que escreve e tem uma nódoa na camisa e só tem de exterior
a manifestação desta dor neste braço que afecta tudo o que faço
bem entendido o que faço com este braço
Estás aqui comigo e à volta são as paredes
e posso passar de sala para sala a pensar noutra coisa
e dizer aqui é a sala de estar aqui é o quarto aqui é a casa de banho
e no fundo escolher cada uma das divisões segundo o que tenho a fazer
Estás aqui comigo e sei que só sou este corpo castigado
passado nas pernas de sala em sala. Sou só estas salas estas paredes
esta profunda vergonha de o ser e não ser apenas a outra coisa
essa coisa que sou na estrada onde não estou à sombra do sol
Estás aqui e sinto-me absolutamente indefeso
diante dos dias. Que ninguém conheça este meu nome
este meu verdadeiro nome depois talvez encoberto noutro
nome embora no mesmo nome este nome
de terra de dor de paredes este nome doméstico
Afinal fui isto nada mais do que isto
as outras coisas que fiz fi-Ias para não ser isto ou dissimular isto
a que somente não chamo merda porque ao nascer me deram outro nome que não merda
e em princípio o nome de cada coisa serve para distinguir uma coisa das outras coisas
Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto
pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa
uma coisa para além disto que não isto
Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo
é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos
mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos
tu és em cada gesto todos os teus gestos
e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como a palavra paz
Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas
perdoa pagares tão alto preço por estar aqui
perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui
prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente
deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias
e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer
sou isto é certo mas sei que tu estás aqui

Ruy Belo
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16.10

"please stand up and slap your arse"

Sem a mão de Herbert, mas com os pirlim pim pims de Herbert, dá a voz como nunca antes tinha feito. Um doce!

Dani Siciliano - Slappers

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say yeah!

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Blue you radiant blue I don't know how you can stand next to me You you talk like a noose And only confuse my perplexity Now that I'm so sad and not quite right I could dance all night I could dance all night Shake your rattle-snake skin And become a part of society Wait on down the highway To see how far I'll come a-run a-run run running All that we had salvaged from the fire Was a waste of time (But) what a waste of time
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In this home on ice

In this home on ice

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Thank you...

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terça-feira, 29 de agosto de 2006

banho 29


«Quem na noite de 29 de Agosto se chegar à beira-mar, verificará talvez um movimento desusado. Desde o pôr-do-sol, aparecerão grupos de pessoas vindas não se sabe de onde, com burros, toalhas e mantimentos. São os camponeses que vêm para o “Banho 29”. É um misto de tradição folclórica e de ritual a cumprir, transmitido de pais para filhos com a indicação de que o banho daquela noite vale por 29...»
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Desciam as gentes das serras algarvias para tomar o único banho do ano de mar. Vinham carregados com o farnel para a noite longa e tornavam a casa com a alma lavada. Mesmo quem aqui morava, e a dureza da vida não permita, ou o gosto não estava voltado para a praia, ninguém dispensava o banho milagroso, aquele que limpava os males que a vida lhes trazia ao longo do ano.
Uma tradição antiga, amada e seguida por quem nestas paragens sempre esperou as primeiras chuvas, e conhece os ventos frios. Dantes deixavam-se as portas e janelas abertas para deixar entrar a brisa que refresca a paredes, agora tranca-se o casario branco e corre-se as pedras até que se encontre a orla de oiro e espuma.
Hoje é a noite em que miúdos e graúdos procuram a rua em busca da maré. Deixa-se as emoções fluir ao sabor das ondas e das gargantas regadas de outros espíritos. Os barcos saem ao mar e entram os corpos. Acendem-se fogueiras, estala a música, saboreia-se a brisa carregada de aromas de oregão e louro, que temperam as carnes e o peixe. Os céus enchem-se de luzes e pólvora e por momentos todos se calam. É um brinde a mais um verão que ainda rebenta forte, mas que finda só nos calendários. Que se rode os jarros do vinho novo, do vinho velho, do que fôr e que os pés descalços nos conduzam noutras danças. Abraçam-nos os estranhos e adoçam a noite os sorrisos e gargalhadas. As dunas escondem os amores e ardores fortuitos. A lua e o mar banham-nos nesta noite que é quente e que implora à exaltação dos sentidos. Quando por fim o corpo quebrar a areia aconchega a todos, até que, a pele queimada pelo sol alto nos desperte e mande embora com o cantar das cigarras.

três noites de verão

t

Não será a primeira, mas faz hoje 21 anos uma das minhas primeiras memórias. Era uma noite de verão tão quente quanto estas. Caminhava de mãos dadas com a minha tia e a minha avó. Ia ver o meu irmão acabadinho de nascer. Era estranho, vermelho e com muito cabelo, não parecia um boneco. Lembro-me da admiração por estar envolto em mantas com tanto calor. Ninguém me deixou pegar-lhe ao colo... Mas o mais estranho era compreender de onde é que ele tinha vindo!
Acabavam os meus dias de filha única e iniciavam os anos mais felizes de menina. Brincavamos debaixo da cama com carrinhos e bonecos, com as toalhas de mesa faziamos uma tenda de circo, roubavamos as bolachas da minha avó e fugiamos para debaixo da mesa, subiamos para cima das árvores e depois não sabiamos descer, e aos sábados de manhã viamos religiosamente os bonecos animados na cama dos pais.
Nunca achamos muita piada ao facto de fazermos anos em três dias seguidos. As pessoas olhavam-nos como um fenómeno do Entroncamento quando no fundo não há nada de fabuloso nesta frateria; ou nos damos muito bem ou nos damos muito mal!
Parabéns ao meu irmão Miguel!
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segunda-feira, 28 de agosto de 2006

feliz cumpleaños mi amor

És a luz dos meus olhos
e quando a minha "espalha brasas" não está
eu ando cega!
ai lamb i u minhe mini!
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domingo, 27 de agosto de 2006

mais um...



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mas...
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mas... my favourite lady enlights my day



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Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Reeds driftin on by you know how I feel

Its a new dawn
Its a new day
Its a new life
For me
And Im feeling good
(...)
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sábado, 26 de agosto de 2006

doutor dói-me tudo!

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Dói-me o molar foi o dentista. Dói-me o olho esquerdo é do astigmatismo. Dói-me o pescoço é da almofada. Dói-me o indicador direito foi do entalão. Dói-me o joelho foi da queda. Dói-me a língua foi da sopa quente. Dói-me o couro cabeludo é do elástico. Dói-me a anca foi dos trabalhos esforçados. Dói-me as costas foi a minha irmã. Dói-me a barriga não me lembro do que foi. Dói-me o peito é do tabaco. Dói-me a garganta foi de tanto cantar. Dói-me o pulso foi de escrever. Dói-me o cabelo é da neura. Dói-me os rins foi da pouca água. Dói-me os pés são aqueles malditos sapatos. Dói-me a cabeça foi aquele último copo. Dói-me os ovários é coisa de mulher. Dói-me o cotovelo é da inveja. Dói-me a alma... mas não sei porquê!
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