O processo de criação foi mais ou menos semelhante ao Big Bang, mas com mais espalhafato. Gritaria, pontapé, chapadas e acessos de verborreia incontrolável. Foram longos os meses de pesarosa e forçada convivência que, me acometia de respostas viscerais nitidamente psicossomáticas. Rios de tinta e papel, noites em claro e cabeçadas nas portas, mas está concluído! É certo que, com muito pouco brio, mas foi ontem entregue cerca da 18.36 o trabalho de investigação ("cadeirão" do curso) que visava sobre a adesão ao auto-exame da mama, das mulheres entre os 20 e os 25 anos, nuliparas, residentes em Coimbra.
Mais um passo dado no sentido de alcançar um grau académico, pondo os pés no ninho de víboras o menos possível!
Gostaria de agradecer:
- Aos nossos pais porque nos fizeram ... E tão bem feitos!
- Aos meus pais que tão corajosamente me patrocinam nesta aventura, que é tirar um curso superior em Portugal e numa instituição pública
- A mim que pago a luz que alimentou computadores, candeeiros, impressoras, televisão, aparelhagem e microondas durante este período
- A mim que paguei o papel, dois tinteiros e chamadas telefónicas para meio mundo
- Ao pai do Ricardo que pagou a gasolina, essencial às nossas deslocações no terreno
- Ao tio da Carla que aparentemente dá aulas em Viseu, é um crânio matemático e nos fez a parte estatística sem nos cobrar nada
- À Catarina por me tirar de casa sempre eu estava prestes a atirar o Ricardo para a linha do comboio e sempre que emitia pedidos de SOS
- À Carla por insultar o Ricardo quando eu já não tinha forças
- Ao Tó Zé por se ter tornado à força no maior entendido de SPSS versão 14.0, quando devia estar a estudar para o exame da especialidade
- Ao João por me ter ajudado a corrigir a fundamentação científica sob coação
- Aos senhores que todos os dias vão trabalhar para os campos de café
- As senhoras do pingo doce por me deixarem entrar sempre depois da hora
- Ao bibliotecário do IPO por nos deixar utilizar os computadores mesmo depois da hora
- Ao senhor da Liga Portuguesa Contra o Cancro por nos ter aturado vezes sem conta
- À nossa ex-orientadora por se ter recusado, a uma semana da entrega do trabalho, a assina-lo
- Ao André e à Ana Veloso por me ter enviado os trabalhos de investigação deles do ano passado
- Ás pessoas que responderam ao nosso inquérito
- À minha actual tutora e professora orientadora de estágio por me fazerem a vida negra
- Aos Depeche Mode, aos Bloc Party e aos Wolf Parade que ontem me conseguiram manter sobre controlo quando tudo estava prestes a descambar.
- Aos meus pais que ao fim de 23 anos desistiram da táctica “pressiona a miúda” e agora adoptam a táctica “liga à miúda só para saber se está viva e informá-la que ainda a consideramos nossa filha”.
A sério, agradecida a todos e aos que me esqueci, também! E mesmo aos que não contribuiram em nada, obrigada! Estou tão contentinha!
Sim! Nós temos tomates suficientes para ir defende-lo, mesmo sem orientadora... Não sabemos se isto já aconteceu alguma vez... Eles que venham!