domingo, 8 de outubro de 2006

1095 dias na terra dos sonhos


Na altura eu usava mini-saia e ele um casaco colorido, eu não acreditava em nada, apenas em mim.
Os Radiohead preenchiam-me os dias e abafavam o circo hediondo que cobria aquela casa. Odiava aquele mar esventrado de histórias, aquele verde de conto de fadas que aconchegava a terra. Odiava os rostos estranhos desertos pela nossa desgraça e pela confirmação das suas mentiras. Odiava-a a ela, catatónica, chorosa, e a ele por se ter deixado morrer. Odiava-me pelo radicalismo, pelo egoísmo e a adultez forçada. Sim! Acho que era ódio...
Na altura eu usava mini-saia e ele um casaco colorido, eu não acreditava em nada, apenas em mim e ele também acreditava em mim. Por isso tomou-me pela mão e disse que ninguém me iria magoar, porque ele iria estar sempre ali. Consumi-me estática de hesitação e medo, não acreditei, mas a verdade é que esteve sempre e nunca lhe agradeci por isso. Faz hoje oito anos que me salvou e que amei pela primeira vez. E nunca lhe agradeci...
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4 comentários:

kat_Jam disse...

222 dias ;)

Ana disse...

a sério?!? uauh quem diria menina! :D
mas vocês são crescidos e nós eramos uns miúdos por isso vão ultrapassar na boa os nossos 1095 dias. Madrinha não faço por menos só o trabalhão que eu tive!

Idiota disse...

Foste embora sem avisar, pensamos que estavas louca. Eras uma miúda, nem queria acreditar quando me contaram. Sim! Aprendeste a doçura do amor, acredito que ele te tenha salvo, mas enquanto lá viveste, não passavas de uma menina triste e esgotada. Voltavas como uma estranha de passagem, chata, embirrenta, descontente e dependente era assim que te via. Será que não o amaste só porque ele te salvou? Será que o amaste?

Ana disse...

E estava realmente louca, tal como tu estás.
Atende o telemóvel ou liga o messenger, tanto eu como tu estamos a precisar de nós. Estás parvo e eu lamechas. Despacha-te