quinta-feira, 12 de outubro de 2006

e...

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Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enloquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.

Herberto Helder - Aos amigos
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2 comentários:

kat_Jam disse...

De amor. De partilha. De segredos no silêncio. Sim ... o silêncio :)

Ana disse...

Estupidamente são os mais tristes que mais amo, que mais quero junto a mim. Aqueles que me abraçam e me dão a mão, que me conduzem quando fecho os olhos e que não têm medo de nada, senão deles próprios. Que riem de mim e choram comigo. Aqueles que falam horas em silêncio.
É desses que sofro a ausência. É desses que mais preciso e é a esses a quem mais tenho a dar.