domingo, 24 de setembro de 2006

a maior vítima deste mundo cruel


Antony and the Johnsons - I am a bird now

Diz a Catarina que o Antony está de volta ao nosso jardim à beira mar plantado. Eis o homem alvo de grandes paixões ou grandes ódios. Chegou o momento de deixar aqui clara a minha incondicional admiração – caso houvessem dúvidas - pela diva cuja voz tem momentos de beleza inebriante certamente inigualáveis.

Se o disco I am a bird now apenas abarcasse o primeiro tema, Hope There's Someone, teríamos o suficiente para nos considerarmos abençoados pela graça de um dia termos ouvido Antony. Pouco consigo dizer das restantes dez faixas, onde passam Boy George, Rufus Wainwright, Devendra Banhart e Lou Reed e que são quase tão voluptuosas como a primeira. O clímax parece ser atingido em You are my sister, mas há dúvidas. Certezas, há apenas uma, o beijo está em Bird Guhl, aquela que após termos sido libertados em Free at last, nos diz: respira fundo e vai, agora, depois de tudo... Já podes voar.

Há todo um processo a ser seguido, é uma catarse! Este é um album anti-inflamatório, tem propriedades analgésicas e auxilia o processo de cura, mas tem também contra-indicações e quando ouvido excessivamente, efeitos secundários severos. É arrepiante, desesperante, assustador, depressivo, obsessivo, doce, delicado e por isso muito belo.

Mas porquê gostar de ouvir um ser andrógeno que clama aos quatro ventos o fado do desgraçadinho? Bem vistas as coisas, aqui estamos nós, sujeitos de carne e osso que um dia conquistamos o direito a um polegar oponível, para agora, ser subjugados para o resto da nossa existência, à necessidade de responder a um turbilhão de sentimentos e emoções, provocações e provações. Perante isto, como é que não podemos gostar de nos (re)conhecer e (en)cantar neste festim de drama queen?

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1 comentário:

curse of millhaven disse...

não podia ter concordado mais com o que escreveste...eu adoro o antony, adoro esse álbum, e não raras vezes já desatei a xorar logo nos primeiros segundos da «hope there's someone». é indescritível o q aquela voz que nem parece humana, mas sim de anjo consegue transmitir a quem, como eu, gosta de a ouvir. tenho muita pena por n poder vê-lo outra vez, já q vi o concerto dele no coliseu no ano passado.