Abracei um festival life style bem burguês, mas que valeu ouro na hora de dormir em cima de um colchão sem água ao lado e de tomar banho de água quente, apesar das 30 fotografias de família que recheavam o quarto e do altar ao Papa João Paulo II, à Nª Sra. de Fátima e terço pendurado na cama.
Sangue, lágrimas e suor foi literalmente a minha passagem por Paredes de Coura. Eu sangrei, eu chorei e transpirei de uma forma poderosa. Foi a minha primeira vez no “rock” e, como primeira vez, apesar de ter sido custoso, foi bem gostoso.
Os Warren Suicide logo na primeira noite estiveram em força ou então fui eu que já não sabia muito bem o que andava a dizer e ouvir.
Foi bonito ver os Broken Social Scene com uma estrela cadente ao mesmo tempo que "Park that car, drop that phone, sleep on the floor, dream about me" e não é dificil advinhar o desejo que pedi. Eles são mais que as mães! Na minha opinião deram um excelente concerto. Não esperava destes doze amigos algo como a tão falada catarse dos Arcade Fire o ano passado (como o JN tanto queria), ou seja corresponderam na perfeição às minhas expectativas. Lá porque eles são todos canadianos, não vamos confundir as coisas e juntar tudo no mesmo saco. E não me venham dizer que eles quase, quase, podem chegar aos Sigur Rós, porque isso seria a mesma coisa que comparar um gato a um cão. Os meninos tocaram e tocaram muito bem. Fiquei muito satisfeita por terem trazido até nós o You Forget it People. Quanto a mim o melhor conseguido dos três álbuns. Depois veio a Cinderela, também conhecida como Morrissey. Fez o seu show off tal como seria de esperar e fê-lo muito bem. Mas esqueceu-se que apesar de ainda poder fazer o que lhe dá na real gana - porque afinal de contas, ele é o Sr. Morrissey - está velho e as três músicas e meia dos Smiths com que nos presenteou, a nós comuns mortais, jamais voltarão a soar como à vinte anos atrás. Apesar de ele ter perdoado Jesus em You are the Quarry, Jesus não perdoou o Morrissey e por isso mandou a chuva. Ele bem trocou três vezes de camisa, mas temo que nunca mais haverá um Paredes de Coura seco enquanto ele não voltar ao palco para acabar de cantar a Panic. Nada chateou o Morrissey… Foi a palhaçada dele! E nem nós nos podemos chatear com ele, porque estamos a falar de uma criaturinha que continua atormentada e triste. No fundo só precisa de amor e carinho. E se nós queríamos espectáculo ele deu-nos.
Não vi os Fischerspooner, para grande desgosto pessoal. Há quem fale em confetis em palco e roupas douradas, mas ouvi sentada debaixo de uma árvore à espera que a chuva parasse a Emerge e dei-me por satisfeita. Feitas as contas só o primeiro álbum é que merece realmente destaque.
A chuva não parou com o romper do novo dia. Os Gang of Four ainda estão para as curvas e até parecem uma banda recente. Não fossem os mais novos Rádio 4, The Raptures, Franz Ferdinand e Bloc Party tudo criançada influenciada pelo pós-punk destes amigos. O momento zen chegou quando o microondas marcou o ritmo da Damaged Goods. Quanto aos Yeah Yeah Yeahs é caso para perguntar de onde saiu esta miúda. Karen é poderosa e deixa marcas! Tudo bem! Já não tem o efeito surpresa em muitos, não ajudou um palrador ao meu ouvido durante o concerto e umas poucas cotoveladas, mas lá estava tudo pronto para cantar "Well sometimes I think that I’m bigger than the sound” ou “Wait they don't love you like i love you”. E agora para o claque feminina: Onde é que ela comprou aqueles collants roxos fabulosos? É que nos também queremos.
O melhor da festa? Sem dúvida Bloc Party! Ainda tive medo de estar a opinar influenciada sob o facto que o Kele cantou “Like drinking poison, like eating glass / It's so cold in this house” ou "Are you hoping for a miracle?” ou "Cos I'm on fire / Cos you know I'm on fire when you come” ou todas as outras, mesmo aqui à nossa frente. E se não morri esmagada naquele dia tenho a agradecer à Cat e ao João, porque por momentos, não sei se da emoção, se da falta de ar eu pensei que me ia ali mesmo. Eu não tenho idade nem paciência para tamanhas manifestações de satisfação e apreço, onde a minha coluna vertebral pode ser danificada a qualquer momento. Sim! Os miúdos estiveram muito bem, foram fantásticos e para gáudio de todos anunciaram que para breve há mais do mesmo em formato disco.
Lamentavelmente os cientistas (We are scientists) não contaram com o meu apoio, o cansaço antes deu-me para andar a pedir dinheiro e para tirarmos fotografias com estranhos. Daquelas coisas que só nos dão nestas ocasiões. Só mais tarde é que fomos ver os Pânico. Que cambada de chilenos drogados, divertidos, com um sotaque galhofeiro aquela malta é! Ele entra (Eddie Pistolas) e grita "Oh baby, do you wanna lick me?" e depois o Dj Gatinho… Perdon! Me gusta Kitten pêro me doem las patitas! Nos marchamos…
Se a chuva tinha mais ou menos dado tréguas no segundo dia, no último foi mesmo para acabar com quem queria ver os !!! a cantar “like I give a fuck” e a nomear o casal mais giro da assistência, que se tratava de uma espanhola parvalhona que também levou bem a resposta do Nic. Eles não param e prometem tornar-se para Paredes de Coura naquilo que o Quim Barreiros é para a queima. Os The Cramps… são os The Cramps e o Lux Interior além de parecer o António Calvário, deu um bom espectáculo, mais que não seja pelo vinho bebido, cuspido, entornado, pelos microfones que destruiu e pelas vezes que lambeu os pés da Poison Ivy. Não são portanto contas do meu rosário.
Se me perguntassem “vamos ver Bauhaus?” o mais provável era responder: Não! Mas tenho que dar a mão à palmatória e admitir que gostei bastante de ver o senhor Peter Murphy e seus compinchas. Foi do melhor ouvir She`s in parties, Transmisson dos Joy Division e acabar com Bela Lugosi`s death. Não fiquei fã, mas fiquei rendida. De Paredes de Coura além de fã, fiquei apaixonada.
Sangue, lágrimas e suor foi literalmente a minha passagem por Paredes de Coura. Eu sangrei, eu chorei e transpirei de uma forma poderosa. Foi a minha primeira vez no “rock” e, como primeira vez, apesar de ter sido custoso, foi bem gostoso.
Os Warren Suicide logo na primeira noite estiveram em força ou então fui eu que já não sabia muito bem o que andava a dizer e ouvir.
Foi bonito ver os Broken Social Scene com uma estrela cadente ao mesmo tempo que "Park that car, drop that phone, sleep on the floor, dream about me" e não é dificil advinhar o desejo que pedi. Eles são mais que as mães! Na minha opinião deram um excelente concerto. Não esperava destes doze amigos algo como a tão falada catarse dos Arcade Fire o ano passado (como o JN tanto queria), ou seja corresponderam na perfeição às minhas expectativas. Lá porque eles são todos canadianos, não vamos confundir as coisas e juntar tudo no mesmo saco. E não me venham dizer que eles quase, quase, podem chegar aos Sigur Rós, porque isso seria a mesma coisa que comparar um gato a um cão. Os meninos tocaram e tocaram muito bem. Fiquei muito satisfeita por terem trazido até nós o You Forget it People. Quanto a mim o melhor conseguido dos três álbuns. Depois veio a Cinderela, também conhecida como Morrissey. Fez o seu show off tal como seria de esperar e fê-lo muito bem. Mas esqueceu-se que apesar de ainda poder fazer o que lhe dá na real gana - porque afinal de contas, ele é o Sr. Morrissey - está velho e as três músicas e meia dos Smiths com que nos presenteou, a nós comuns mortais, jamais voltarão a soar como à vinte anos atrás. Apesar de ele ter perdoado Jesus em You are the Quarry, Jesus não perdoou o Morrissey e por isso mandou a chuva. Ele bem trocou três vezes de camisa, mas temo que nunca mais haverá um Paredes de Coura seco enquanto ele não voltar ao palco para acabar de cantar a Panic. Nada chateou o Morrissey… Foi a palhaçada dele! E nem nós nos podemos chatear com ele, porque estamos a falar de uma criaturinha que continua atormentada e triste. No fundo só precisa de amor e carinho. E se nós queríamos espectáculo ele deu-nos.
Não vi os Fischerspooner, para grande desgosto pessoal. Há quem fale em confetis em palco e roupas douradas, mas ouvi sentada debaixo de uma árvore à espera que a chuva parasse a Emerge e dei-me por satisfeita. Feitas as contas só o primeiro álbum é que merece realmente destaque.
A chuva não parou com o romper do novo dia. Os Gang of Four ainda estão para as curvas e até parecem uma banda recente. Não fossem os mais novos Rádio 4, The Raptures, Franz Ferdinand e Bloc Party tudo criançada influenciada pelo pós-punk destes amigos. O momento zen chegou quando o microondas marcou o ritmo da Damaged Goods. Quanto aos Yeah Yeah Yeahs é caso para perguntar de onde saiu esta miúda. Karen é poderosa e deixa marcas! Tudo bem! Já não tem o efeito surpresa em muitos, não ajudou um palrador ao meu ouvido durante o concerto e umas poucas cotoveladas, mas lá estava tudo pronto para cantar "Well sometimes I think that I’m bigger than the sound” ou “Wait they don't love you like i love you”. E agora para o claque feminina: Onde é que ela comprou aqueles collants roxos fabulosos? É que nos também queremos.
O melhor da festa? Sem dúvida Bloc Party! Ainda tive medo de estar a opinar influenciada sob o facto que o Kele cantou “Like drinking poison, like eating glass / It's so cold in this house” ou "Are you hoping for a miracle?” ou "Cos I'm on fire / Cos you know I'm on fire when you come” ou todas as outras, mesmo aqui à nossa frente. E se não morri esmagada naquele dia tenho a agradecer à Cat e ao João, porque por momentos, não sei se da emoção, se da falta de ar eu pensei que me ia ali mesmo. Eu não tenho idade nem paciência para tamanhas manifestações de satisfação e apreço, onde a minha coluna vertebral pode ser danificada a qualquer momento. Sim! Os miúdos estiveram muito bem, foram fantásticos e para gáudio de todos anunciaram que para breve há mais do mesmo em formato disco.
Lamentavelmente os cientistas (We are scientists) não contaram com o meu apoio, o cansaço antes deu-me para andar a pedir dinheiro e para tirarmos fotografias com estranhos. Daquelas coisas que só nos dão nestas ocasiões. Só mais tarde é que fomos ver os Pânico. Que cambada de chilenos drogados, divertidos, com um sotaque galhofeiro aquela malta é! Ele entra (Eddie Pistolas) e grita "Oh baby, do you wanna lick me?" e depois o Dj Gatinho… Perdon! Me gusta Kitten pêro me doem las patitas! Nos marchamos…
Se a chuva tinha mais ou menos dado tréguas no segundo dia, no último foi mesmo para acabar com quem queria ver os !!! a cantar “like I give a fuck” e a nomear o casal mais giro da assistência, que se tratava de uma espanhola parvalhona que também levou bem a resposta do Nic. Eles não param e prometem tornar-se para Paredes de Coura naquilo que o Quim Barreiros é para a queima. Os The Cramps… são os The Cramps e o Lux Interior além de parecer o António Calvário, deu um bom espectáculo, mais que não seja pelo vinho bebido, cuspido, entornado, pelos microfones que destruiu e pelas vezes que lambeu os pés da Poison Ivy. Não são portanto contas do meu rosário.
Se me perguntassem “vamos ver Bauhaus?” o mais provável era responder: Não! Mas tenho que dar a mão à palmatória e admitir que gostei bastante de ver o senhor Peter Murphy e seus compinchas. Foi do melhor ouvir She`s in parties, Transmisson dos Joy Division e acabar com Bela Lugosi`s death. Não fiquei fã, mas fiquei rendida. De Paredes de Coura além de fã, fiquei apaixonada.

4 comentários:
os Fischerspooner tiveram um concerto bem conseguido e os We are scientists não estiveram nada mal, mas depois de 2 espectáculos como os que os antecederam, não era fácil para ninguém.
Paredes de Coura tem esse efeito... apaixona.
ahhh pois é! foi muito forte!
apaixona... daquelas coisas que só se segreda ao ouvido
Dá-me vontade de empurrar-te para a frente de um carro antes de cortar a minha própria garganta com uma Bic, ofendido por não mencionares os Shout Out Louds. Eles entrançam com boa-vontade.
Não duvido. Eu é que estava bastante desorientada e eles passaram-me ao lado... ficaram resquiçios.
Bic Laranja ou Cristal?
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